Feita de barro

Escolher não é fácil, mas faz parte do desafio de experimentar a vida. Viver requer esforço, principalmente quando se tem a perspectiva de que há a possibilidade de desfrutar de vida em abundância. Facilmente optamos pelo que nos proporciona prazer imediato. Nestas boas sensações desejamos estar imersos durante todo o tempo. E para que isso aconteça, escolhemos.

Tendemos a adiar a dor o mais que pudermos, para prolongar ao máximo aquela fugaz sensação de satisfação. Uma completude que tem prazo de validade. Tem aproximadamente a duração do efeito de um cigarro, de uma dose, de uma trepada ou de uma singela barrinha de chocolate. Tem destino certo, o inconsciente, através daquela viagem induzida. Lá, é possível acessar nossas fantasias, fantasmas, dores, alegrias, sonhos, pulsões. Quando há o retorno, a companhia da solidão é certa. A frustração, a insegurança e o medo não deixam de participar da festa – regada àquela alegria que se compra no mercado. Costumam dizer que isso é liberdade. Chamo a isso escravidão, pois fica-se refém do desejo – insaciável, devo salientar, por prazer, poder e segurança. São três elementos que construímos como metas existenciais, portanto, esvaziadas de sentido. São metas inalcançáveis por nossos próprios esforços. E pq? Pq sempre existirá a liberdade do outro que deve ser considerada como a nossa, ou seja, será vivenciada da maneira mais profunda, sem limites. Sem respeito.
Por prazer, poder e segurança, abrimos mão da vida e nos satisfazemos com o pouco que a simples existência pode nos relegar. São os pilares do consumo. Movem a economia da sociedade contemporânea. São temas para os tratados filosóficos, livros de auto-ajuda, tortas linhas de diários e devaneios de jovens que, insônes, se dedicam a compartilhar seus pensamentos na madrugada por meio da internet.
Eu tenho esperanças de viver e isto não vem de mim. Anseio por não necessitar olhar para trás para ter certeza de que vivi. É fácil existir, mas gosto de desafios. E você?

(Rio de Janeiro, 20/05/09 – 01:39)
__________________________________________________________________________________


Esta Telha é feita de barro.

Como bem escreveu (e cantou) Marcos Oliveira, da banda Palavrantiga:

Sou feito de barro
Do pó dessa terra
O sopro de vida
É o vento que sopraste em mim

Tu sabes quem eu sou.

Fui homem perfeito
Completo, inteiro
Da escolha que fiz
A queda que vi
Me separou de Ti

Tu sabes quem eu sou.

Clamei o meu Deus em alta voz
Gritei o Seu nome na noite escura
Cristo redentor, olhando pra mim
Abriu os Seus braços e me chamou
Me chamou.

Vem…

Misericórdia, Graça e um cálice de amor
Estão na minha mesa antes do sol se por
Todos os dias Deus restaura meu ser
Toda essa obra é tão grande, eu sei, eu sei

Reconciliação!

Tu sabes quem eu sou.

______________________________________________

Anúncios

5 opiniões sobre “Feita de barro”

  1. Prenda,
    Melhor do que ler sobre ti e teus pensamentos é estar ao teu lado cada momento. É sentir no olhar e nos gestos neste turbulento mundo modesto.
    Um Dark Metal Bjux!!!!
    Moacir – Tchê!!!

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: