Quando penso sobre isso…


Não sei o que teremos de texto ao final desta publicação. Na verdade, há muita coisa me incomodando e, como já disse em algum outro momento por aqui, escrevo quando estou confusa ou pensativa. Pelo tanto de tempo que não faço isso aqui, posso enxergar o quanto de tempo que passou sem que eu parasse para pensar. Mas não é pensar de qualquer jeito. É daquele modo que a gente vai arrumando tudo, colocando as coisas nos seus devidos lugares. Parece que há muita coisa debaixo dos tapetes por aqui.

Escrever é um processo interessante. Diferentemente de quando conversamos com alguém, e às vezes temos o recurso de “falar o que pensamos”, a escrita passa por uma série de senões, de filtros emocionais, estéticos, valorativos. Neste exercício de escrita que faço agora, me dei conta do quanto de vezes que já apaguei palavras e frases, burlando meu próprio objetivo: escrever o que vier à mente. Não é possível – pelo menos para mim hoje.

Quando lemos, alguns textos muito bonitos e com uma sonoridade incrível, não nos damos conta do quão difícil deve ter sido lapidar palavras, compor frases, selecionar combinações. Não é algo simples. Às vezes é tão doloroso que, talvez, numa reação traumática, eu esqueço, ao ler alguns dos meus textos, que aquilo partiu de mim. Isso acontece com vocês? É irreconhecível.

E por que cheguei aqui? Agora?! Não sei. Acho que estou cansada de procrastinar do mesmo modo sempre. E escrever me faz entender algumas coisas sobre mim mesma. É quase uma conversa solo. Para ir adiante preciso me questionar, me elogiar ou censurar. É um modo de mexer na sintonia de sons que estão na minha cabeça – às vezes, tocando alto demais. Outras, parecem estar em estática. Não consegui ainda o meio termo, ajustar essa sintonia de modo que não me sinta tão esgotada. Colocar para fora ajuda. Talvez, aqui, seja um recomeço.

Mas a conversa, aqui, é sobre a escrita. E meu problema, nesse instante, está sendo escolher palavras que combinem o que estou pensando ao que desejo que você leia. Sem parecer repetitiva, infantil, egocêntrica. Provavelmente, será um clichê. E quanto a isso me pergunto – e te pergunto – por que as pessoas tanto temem os clichês? Qual é o problema em ser um clichê? Lembrando agora, são muitos os filmes que fazem circular esse discurso de que temos de ser sempre originais, autênticos. Alguém me define essa autenticidade padronizada de hoje, produção? Só tenho uma coisa a dizer, por enquanto: preguiça!

Ah! A escrita. Ou a escrita para procrastinar a leitura. Ou a preguiça de ler alguns textos que me parecem ter sido escritos para uns poucos iluminados dotados de uma habilidade cognitiva distinta e de uma bagagem de leitura de uma criatura atemporal. Sou sinceramente a favor das experimentações. Acredito que todos são potentes em criar, torcer, distorcer, transgredir. Mas o mínimo que espero é um aviso do que irei encontrar. Um convite, talvez. Para que eu embarque no fluxo de ideias e palavras preparada para sentir, para fruir.

Quando, no entanto, me pego com um desses textos viajantes em mãos, são muitas vontades que sinto. Penso [em muitas ]coisas pouco gentis. Principalmente, em se tratando de texto acadêmico, cuja função é comunicar uma produção científica. Peloamorde! É um suplício. Não vale colocar na conta da opção teórica. Não espero de alguns pesquisadores-escritores que se abstenham da alquimia de palavras e orações. Nem desejo. Ao contrário, façam brotar vida em nossos sentidos. Mas sejam empáticos. Reconheça o leitor. Saiba onde estão localizados.

Eu, por exemplo, estou aqui. Brigando para que o texto não acabe pois quando isso acontecer, terei de voltar à leitura. Sem mais desculpas, pois tudo o que eu tinha em mente para procrastinar, já fiz.

Ops… A campainha tocou. Salva pelo gongo. Por enquanto.

 

 

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