Trabalho Infantil


Ainda uma (abominável) realidade em nosso país, o trabalho infantil perdura nos rincões do Brasil. E não é apenas nas lavouras de cana de açúcar das áreas rurais ou nas carvoarias do nordeste que podemos encontrar crianças alienadas do seu direito de ser criança. É vergonhosamente comum encontrarmos crianças nos lixões das periferias dos grandes centros urbanoos, nos sinais de trânsito pedindo dinheiro ou vendendo doces e favores sexuais.
Este post é apenas para lembrar que estamos longe da democracia, do tratamento igualitário e atendimento aos direitos básicos. Em época de eleição, é preciso saber ler as propostas dos canditados. Não podemos deixar que a mídia diga o que precisamos, tampouco os candidatos. É fundamental lembrarmos das necessidades reais do nosso país, ir além daqueles interesses que circundam o nosso próprio umbigo. Afinal, serão 4 anos.

Meninos Carvoeiros, de Manuel Bandeira.

Os meninos carvoeiros
Passam a caminho da cidade.
– Eh, carvoero!
E vão tocando os animais com um relho enorme.

Os burros são magrinhos e velhos.
Cada um leva seis sacos de carvão de lenha.
A aniagem é toda remendada.
Os carvões caem.

(Pela boca da noite vem uma velhinha que os recolhe, dobrando-se com um gemido.)

– Eh, carvoero!
Só mesmo estas crianças raquíticas
Vão bem com estes burrinhos descadeirados.
A madrugada ingênua parece feita para eles…
Pequenina, ingênua miséria!
Adoráveis carvoeirinhos que trabalhais como se brincásseis!

-Eh, carvoero!

Quando voltam, vêm mordendo num pão encarvoado,
Encarapitados nas alimárias,
Apostando corrida,
Dançando, bamboleando nas cangalhas como espantalhos desamparados.

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