O que você entende por justiça social?


Caros leitores,

prazer enorme estar com vocês! O motivo que me traz aqui é uma simples curiosidade: o que você entende por justiça social? Ficarei muito agradecida se puderem responder a este questionamento.

O motivo da pergunta? Simples. Este é um ano eleitoral. Não tardará a chegada das infindáveis propagandas políticas obrigatórias e, então, tornar-se-á comum ouvirmos discursos eloquentes sobre a preocupação dos candidatos com a “justiça social” e o seu compromisso com a população de baixa renda. Mas não é só isto. Estou lendo um livro que tem me feito pensar sobre isto e me aguçou a curiosidade para alguns assuntos, quase lugares-comuns.

Já estou na segunda semana de leitura de ” O mal-estar da Pós-modernidade”, de Zygmunt Bauman. Com o retorno das atividades na escola, acho que vou demorar um pouco mais para terminá-lo. Tem valido a pena investir meu tempo de ociosidade nas linhas bem escritas de Bauman. É como se algumas inquietudes estivessem tomando forma definida e recebendo nome.

Confesso que o tenho lido com otimismo, pois desejo encontrar apenas uma perspectiva que me motive a acreditar na sociedade em que vivo. Acho que ganhei uma dose exagerada de melancolia e realismo no meu aniversário de 25 anos.

Abraços,

Renata.

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10 opiniões sobre “O que você entende por justiça social?”

  1. É engraçado como certas perguntas suscitam questionamentos em nós mesmos, nos motivando a sair de uma visão senso comum.

    Quando me deparei com a pergunta, não tive nenhuma intenção de respondê-la de imediato, e isso é uma atitude relevante!

    Tinha abandonado um pouco o Bauman, mas voltei agora que me senti impelido a ser ajudado por algum autor para responder a esse seu questionamento. Seria um aspecto sintomático da pós-modernidade? rs

    Enfim, Renata…o seu pedido ajuda me forçou a sair da ocisosidade intelectual que as férias de janeiro proporcionam…rs

    Daqui a pouco eu retorno!

    Beijos.

  2. Essa reflexão não responda diretamente a pergunta, mas talvez nos faça compreender qual a verdadeira essência que deve ser valorizada para que um dia a justiça social não seja apenas uma aspiração…

    “Por melhor que seja uma instituição social, sendo maus os homens, eles a falsearão e lhe desfigurarão o espírito para explorarem em proveito próprio. Quando os homens forem bons, organizarão boas instituições, que serão duráveis, porque todos terão interesse em conservá-las. A questão social não tem, pois, por ponto de partida a forma de tal ou qual instituição; ela está toda no melhoramento moral dos indivíduos e das massas”.

  3. Entendo por justiça social o cumprimento da Constituição, se todos formos considerados de fato iguais perante a lei, e se defendermos os direitos e devers contitucionais, já teremos avançado muito.

    Todas as sociedades modernas que são consideradas Estados de Bem Estar Social, tem instituições, tais como a propria Constituição, a Justiça, o Congresso como patrimômios a serem defendidos e perpetuados.

    Mas lá, diferentemente daqui, existe o respeito a estas regras sociais.

    Infelizmente, em nosso país, temos o o clientelismo, em detrimento do direito e o dever comum, esta “prestação de serviços” em lugar do cumprimento das leis nos transforma em cidadãos incompletos, pois não é legitimo ao Estado de direito este tipo de atitude.

    Gerson Leal

  4. essa e uma questão muito pertinente. as pessoas menos bem sucedidas do nosso pais pensam ter esse direito de ser tratado de forma igual aos demais, porém elas não fazem por merecer esse direito pois muitas vezes o vendem.Mas como o vendem? abrindo mão do modo mais simples de exercer os seus direitos, não analisando corretamente e não cobrando as altoridades que nos representam no poder. A questão de justiça social Renata e um pouco de historia como aprendi com você durante esse ano, e tentar fazer valer seu direito na sociedade vendo sim as infindáveis propagandas políticas obrigatórias que elas ajudam nem que seja um pouco na escolha de exercer o seu direito e de fazer a justiça valer a todos independente de classe social , e faze-la ser uma “justiça social” uma justiça igual para todos

  5. Nascemos para disputar.
    Não acho que apenas somos maus por natureza, como disse o Mauro, nietzsche, etc.
    O ser humano é programado desde cedo a ser mau. A Disputar com o outro onde quer que seja, pq o coletivo nunca lhe será tão importante quanto o individual. (se é que será um dia)
    Só o FIM importa para nossa sociedade e este precisa ser alcançado a qualquer custo, não importa se [b]eu[/b] terei que Fraudar o sistema ou passar por cima de outro ser humano.
    A justiça social só ainda não está enterrada porque [b]alguns seres[/b] com a consciência um pouquinho mais exercitada que o resto do gado fazem questão de guardá-la em sua memória um modelo com mais equilíbrio para todos.
    Mas o equilíbrio não vem e nunca virá pois além de [b]sermos[/b] acadêmicos ao estremo e apenas isso para colocá-la em prática, o gado ainda é manipulado a seguir por caminhos que só o levam do estábulo ao pasto e vice versa por jogadores que apenas querem que tudo permaneça como está.
    Infelizmente a maioria dos políticos apenas são os peões desse tabuleiro.

    bjin
    Pira

  6. Essa questão me faz citar uma frase da médica Zilda Arns, divulgada pelo jornal O Globo, do dia 14/01/10. Ela teria dito:”Deus me livre de cestas básicas…”, porque ela sempre foi contra o assistencialismo. O trabalho dela era transmitir informação! E com esse valioso instrumento ela conseguiu salvar vidas. Assim, concordo que o povo realmente é facilmente comprado com esmolas sociais… mas é o povo não instruído, não informado. Educação é a base de tudo. Justiça remete à equidade, ou seja, dar a cada um o que é devido. Se o povo recebe uma política medíocre, é porque é um povo medíocre, no sentido de não ter capacidade de agir racionalmente por não ser intelectualmente capaz disso. Só haverá justiça social no dia em que o povo tiver acesso à informação e tiver capacidade intelectual para processá-la.

  7. Concordo com o Gerson. Mesmo antes de ler a opinião dele pensei na justiça social como o cumprimento da Constituição Federal. Afinal de contas, é o nosso “guia” de direitos e deveres e, se cumprido corretamente, nos trará alguma justiça enquanto cidadãos. Dessa forma seremos todos iguais perante a lei, não importando a cor da pele e/ou a condição social.

  8. Justiça social é haver uma relação de correta entre o esforços de cada um. Por exemplo, não há porque o general ganhar 10x mais que um soldado. Eles comem e dormem do mesmo jeito! O que diferencia é o preparo de cada um. Ou seja, uma relação de força semelhantes com pequenos diferenciações. Talvez o correto seria o general ganhar 5x mais e não 10x e há também a divisão social dos recursos pra que haja justiça. Se o recurso = 100k, e para gerar esse 100k foi preciso recursos materiais e humanos a divisão do resultado tem que ter sua devida equivalência, não é junto 100k sóo gerar 1k para um e 99k para outro!

    Não sei se me fiz entender!

  9. Muito interessante pensar a “justiça social” nesse espaço, por sinal, bem democrático. Entendo justiça social, como universalidade, equidade social, consolidação dos direitos e deveres individuais e coletivos, prescrita na nossa Constituição. Refletir esse conceito, na atual conjuntura sócio-econômica-política é bem complexo. Vivemos num país onde o nosso regime político é democrático de direitos. Penso. Que direitos? A maior concentração de renda deste país está nas mãos de apenas 2% da população brasileira, ou melhor ” os privilegiados”, enquanto os demais suam suas camisas para garantir o pão nosso de cada dia. Esses, posso dizer, ainda se beneficiam por garantirem os seus direitos sociais, através dos seus contratos trabalhistas (sejam eles seletistas ou estatutários), mas e aquele do mercado informal, que rala o mês inteiro e sequer consegue pagar a sua contribuição previdenciária? Tem ainda àqueles que vivem na extrema pobreza, sabe lá o que significa isso? Eu sei. vão depender mesmo dessa política neoliberal, capitalista, perversa, populista e assistencialista. É a clientela do Bolsa Família, por exemplo. Existe uma canção popular que ressalta que vivemos num país onde ” o pobre cada vez fica mais pobre, e o rico cada vez fica mais rico”. é por aí…Estamos vivendo uma barbárie macro-política. Existe uma frase que me enche de esperança: ” A esperança sabe que, se forem evitadas as grandes provações, grandes feitos permanecem por fazer e aborta-se a possibilidade de a alma ser grande” B. Manning Mesmo vivendo neste caos social, onde pensamos a justiça social como direito, temos que acreditar que podemos resistir, exercer a nossa cidadnia de maneira coerente, consciente e crítica. Parabéns pelo debate.

  10. Muito interessante pensar a “justiça social” nesse espaço, por sinal, bem democrático. Entendo justiça social, como universalidade, equidade social, consolidação dos direitos e deveres individuais e coletivos, prescrita na nossa Constituição. Refletir esse conceito, na atual conjuntura sócio-econômica-política é bem complexo. Vivemos num país onde o nosso regime político é democrático de direito, somos sujeitos de direitos. Penso. Que direitos? A maior concentração de renda deste país está nas mãos de apenas 2% da população brasileira, ou melhor ” os privilegiados”, enquanto os demais suam suas camisas para garantir o pão nosso de cada dia. Esses, posso dizer, ainda se beneficiam por garantirem os seus direitos sociais, através dos seus contratos trabalhistas (sejam eles seletistas ou estatutários), mas e aquele do mercado informal, que rala o mês inteiro e sequer consegue pagar a sua contribuição previdenciária? Tem ainda àqueles que vivem na extrema pobreza, sabe lá o que significa isso? Eu sei. vão depender mesmo dessa política neoliberal, capitalista, perversa, populista e assistencialista. É a clientela do Bolsa Família, por exemplo. Existe uma canção popular que ressalta que vivemos num país onde ” o pobre cada vez fica mais pobre, e o rico cada vez fica mais rico”. é por aí…Estamos vivendo uma barbárie macro-política. Existe uma frase que me enche de esperança: ” A esperança sabe que, se forem evitadas as grandes provações, grandes feitos permanecem por fazer e aborta-se a possibilidade de a alma ser grande” B. Manning Mesmo vivendo neste caos social, onde pensamos a justiça social como direito, temos que acreditar que podemos resistir, exercer a nossa cidadnia de maneira coerente, consciente e crítica. Protagonistas deste cenário social, fazemos parte dessa construção histórico-política, portanto, devemos desempenhar os nossos papéis, através dos diversos campos de saberes, contribuindo assim ao senso comum, a esse processo de construção democrática.

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