Câncer de mama detectado em criança de 10 anos


Câncer de mama aos dez anos surpreende médicos
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CLÁUDIA COLLUCCI
da Folha de S.Paulo

O caso da menina americana que teve um câncer de mama diagnosticado aos dez anos acendeu o debate sobre o surgimento desses tumores em idade precoce. Se por um lado há uma unanimidade de que eles são raros –incidência de praticamente 0%, segundo a literatura médica–, por outro servem de alerta para o surgimento do câncer em uma faixa etária que ninguém espera.

Carrie, mãe de Hannah Powell-Auslam, da Califórnia (EUA), encontrou um caroço embaixo do braço da filha no mês passado, quando a ajudava a se vestir. Levou-a ao médico, que diagnosticou um carcinoma secretório invasivo. No início deste mês, a menina passou por mastectomia (retirada da mama), mas o câncer se espalhou e ela terá que passar por outra cirurgia ou por radioterapia, segundo a mãe.

Em 2008, o Registro Hospitalar de Câncer (RHC), da Fundação Oncocentro de São Paulo, registrou quatro casos de crianças, com até cinco anos de idade, que apresentaram tumores de mama, provavelmente de tecidos mesenquimais (ossos, cartilagem e músculo, por exemplo). Esse tipo de tumor pode surgir em outras regiões do corpo, segundo os médicos. Já o tipo de câncer de Hannah, carcinoma, é de origem epitelial (ductos e lóbulos da mama) e característico de mulheres mais velhas. Não há registro no Brasil desse tipo de câncer na infância.

“É uma curiosidade médica, que não justifica nenhum alarde, muito menos pensar em mamografia para as meninas. 99,9% dos pediatras jamais vão ver um caso desses”, afirma o mastologista Sergio Simon, do hospital Albert Einstein.

Para o mastologista José Luiz Bevilacqua, do Hospital Sírio-Libanês, casos de carcinoma na infância são “raríssimos”. “Nessa faixa etária [até dez anos], quase não há tecido mamário. Mas o fato de o tumor ser raro não quer dizer que ele não possa existir. Por isso, é importante procurar um médico diante de alguma alteração.”

O mastologista Luiz Henrique Gebrin, professor da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e diretor do Hospital Pérola Byington, também diz desconhecer casos de carcinomas de mama em crianças. Já entre adolescentes, na faixa etária entre 13 e 16 anos, o Pérola Byngton tem registrado dois casos por ano, diz Gebrin.

Um estudo do Gbecam (Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama), feito nos anos de 2001 e 2006, encontrou dois casos de câncer de mama em pacientes de 16 anos. Segundo Gebrin, em 95% desses casos, as adolescentes apresentavam nódulos palpáveis. “Não sabemos o motivo. Nesses casos, não há histórico familiar da doença nem uso de pílula anticoncepcional [fatores de risco para o câncer].”

Por serem incomuns nessa faixa etária, a tendência é que esses tumores sejam descobertos em estágio mais avançado. “Ninguém imagina que possa ser um câncer, e isso retarda o diagnóstico. São exceções, mas o médico tem que saber que isso pode acontecer e encaminhar o caso para um especialista investigar”, diz Gebrin.

Segundo os médicos, os pais não precisam ficar alarmados diante de alguma alteração nas mamas de suas filhas, mas é recomendável procurar orientação médica. “Não basta ficar olhando”, diz Bevilacqua.

A partir dos nove anos, as meninas podem desenvolver nódulos sensíveis abaixo de um ou dos dois mamilos. São protuberâncias mamárias e um dos primeiros sinais do início da puberdade. Eles tendem a desaparecer em um período de seis meses a um ano.

Quando os mamilos começam a aparecer, a menina também pode sentir dor ou perceber uma assimetria das mamas, o que é normal.

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