Tempos difíceis.

Resolvi retomar a escrita no blog. Se  você ainda me acompanha, deve saber que sempre faço isso quando paro para refletir sobre meus dias. E que dias ruins estamos vivendo, em que a maldade, o oportunismo, a vilania, a corrupção toma à força o controle do poder, do governo do nosso país.

Fico pensando diariamente se vale a pena lutar. Hoje, ao ler passar as vistas pelo Facebook, tive raiva da seguinte frase: “Golpistas não passarão”. E por quê? Porque já passaram. Violentaram. E nossos esforços parecem insuficientes para impedi-los. Militar pelas redes sociais (algo muito próprio de nosso tempo), obviamente não é suficiente. Debater ideias está cada vez mais difícil, pois o que mais encontro são pessoas imbuídas de um certo poder salvacionista e inquisitorial. Ir às ruas e gritar aos quatro ventos não ganha notoriedade na sociedade, inerte. Letárgica.

Os textos gigantescos nas redes sociais, às vezes raivosos, às vezes apaixonados, me levaram a pensar sobre a palavra comprometimento. Compromisso é algo que, cada vez mais, está escasso em nosso tempo. Nossas crianças não são educadas a se comprometerem. Talvez, nós mesmos, não tenhamos sido educados para isso.  Fui buscar seu significado e sem muito rigor, usando o wikipedia mesmo, vi que deriva de promessa. Quando você promete algo a alguém, parte-se do princípio de que há disposição para cumprir.

Diante disso me fiz a seguinte pergunta: quem eu conheço que daria sua vida para defender a democracia? Uma ideologia? Um sonho? Um projeto de futuro? Um projeto de sociedade? Até onde seríamos capazes de ir para que não passem?

Em meu círculo de relacionamentos conheço muito poucas pessoas que seriam capazes de chegar ao ponto de militarem com seus corpos, além de suas ideias. Eu mesma vacilo em responder. Quando penso nos tempos da ditadura que assolaram este país mais admiro a paixão daqueles jovens que se entregaram por um ideal. Não estou defendendo o ato, as ideias. Não se trata disso. Trata-se da paixão. Da práxis. De colocar em prática as ideias. No final das contas, de não ser hipócrita.

E, nesse bololô mental e emocional, ponho-me a pensar sobre minha profissão. Ser professora de história. Nunca foi fácil ensinar. Continuo buscando aprender como faz, porque parece que isso “não se ensina na escola”, “se aprende fazendo”. Mas como ensinar quando não se tem esperanças? Como ensinar quando não se tem utopias? Como explicar aos alunos o que vivemos hoje? Como dizer ao meu aluno que corrupção não deve fazer parte de suas atitudes e de seu caráter quando no mais alto escalão da sociedade e da política é o que predomina? Como ensinar a importância de respeitar as regras quando o que estão aprendendo nos últimos dias que elas podem ser manipuladas por quem tem poder, quem tem dinheiro? Como ensinar sobre igualdade, lutar contra o machismo e misoginia, direitos humanos quando não são valores fundamentais para a sociedade? Em nenhum dos meus sonhos de adolescente, pensei passar por um tempo como esse. Não me preparei para esses desafios.

 

[Diário de uma Vida Nova] Detox

Ainda que você seja o tipo de pessoa que já está a muito tempo sem fazer dieta, como eu, já deve ter ouvido a palavra Detox, até porque está na moda. Detox nada mais é que um processo de desintoxicação pelo qual seu corpo passará em um período determinado, a partir do uso de uma dieta controlada, geralmente líquida, à base de sucos de frutas, verduras e legumes. Eu não fazia ideia disso até começar a fazer uma.

Aprenda-a-desintoxicar-o-seu-corpo-com-a-dieta-detox

Fui recentemente a um nutricionista esportivo com a finalidade de perder uma quantidade significativa de peso, aproximadamente 30 kg.  Estou obesa. Mas pratico esportes com frequência, faço treinamento funcional. Então, alguma coisa está errada: a alimentação. Conversa vai, conversa vem, o nutricionista me indicou começar por uma dieta detox para desinchar e preparar o corpo para meu novo plano alimentar. Topei. Saí dali, no entanto, sem entender completamente o processo pelo qual eu iria passar.

Recebi o planejamento alimentar por e-mail depois de uma semana, como o prometido, e fiquei intrigada. Eu só tomaria líquidos. Em um primeiro momento eu me apavorei porque nunca tinha feito nada assim. Liguei para o marido e passei a lista de compras. Respirei fundo e me enchi de fé.

No dia seguinte comecei. Senti alguma dificuldade mas terminei o dia com saldo mais ou menos positivo.  Furei a dieta em alguns momentos para ingerir alguma coisa salgada. E descobri, lendo mais sobre o assunto, o profundo significado do que eu estava começando a fazer.

Durante o dia a dia, nosso corpo lida com uma série de toxinas aos quais à noite, por si só, tende a eliminar. Mas como ingerimos mais do que nosso organismo é capaz de suportar, retemos líquido para dilui-las e não ficarmos intoxicados. Daí os inchaços, a falta de apetite pela manhã e a voracidade da fome ao longo do dia. Com a nossa pele é o mesmo processo, já que lida com o ar poluído, cosméticos, perfumes… Como eu amo perfumes!

Hoje, decidi fazer à risca. Cumprir todo o planejamento.  Só está mais fácil porque estou de licença médica, devido à crise aguda de ATM. É o meu corpo dando sinais de intoxicação. De que há excessos. Foi o que me levou a pensar que não basta mudar a alimentação se eu mesma não mudar meu estilo de vida, meu comportamento, meus pensamentos. Os excessos vão sempre prejudicar, fazer adoecer.

Então percebi que preciso desintoxicar a vida de muita coisa, a começar por hábitos ruins. Li em algum lugar que  “O detox não é só uma dieta, é uma mudança no estilo de vida. E para mudar, as pessoas precisam ver que é viável, que não é algo ruim”. Então, chegamos ao ponto onde eu queria, ou precisava chegar. Mudança. Estou agora com a vassoura na mão, o balde e o pano de chão. É hora de me limpar das pessoas que fazem mal, das frustrações, dos comportamentos viciados, da poeira das tarefas acumuladas e dos planejamentos deixados de lado.  É momento de abrir as janelas de casa e respirar um ar puro, revigorante e olhar para o céu com gratidão e esperança.

Não espere muito tempo para se limpar do que te faz mal também. Desintoxique-se (Sonoridade legal dessa palavra, não acham?!) Agora deixa eu ir que está na hora de preparar o meu suco.

Beijunda,

Renata.