Juventude sem passado… Juventude sem futuro?!

12 11 2010

“A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa experiência pessoal à das gerações passadas – é um dos fenômenos mais característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o passado público da época em que vivem. Por isso os historiadores, cujo ofício é lembrar o que outros esquecem, tornam-se mais importantes que nunca no fim do segundo milênio. Por esse mesmo motivo, porém, eles têm de ser mais que simples cronistas, memorialistas e compiladores.”

HOBSBAWM, Eric. Era dos Extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995, p. 13.





Revolta da Chibata – 100 anos

6 09 2010

Fonte: CORREIO DA CIDADANIA 25-Ago-2010
O ano de 1910 foi marcado no Brasil pela eclosão da “Revolta dos Marinheiros”, conhecida posteriormente como “Revolta da Chibata”, título do livro-reportagem do jornalista Edmar Morel publicado em 1959. Para além da memória da cidade do Rio de Janeiro, da Marinha Nacional e de movimentos sociais, o levante tornou-se um dos tópicos da História do Brasil no período da Primeira República e recebeu, sobretudo a partir dos anos 1990 e 2000, um novo tratamento e interesse historiográfico no país e no exterior.

Este encontro pretende reunir pela primeira vez os principais pesquisadores especialistas do tema na atualidade, buscando contemplar a pluralidade de abordagens sobre o assunto. Trata-se, portanto, de criar oportunidade para apresentação e debate dos resultados de tais trabalhos com a comunidade científica (desde alunos de Graduação até professores e pesquisadores de Pós-Graduação) e com um público de interessados no ano do centenário da Revolta da Chibata.

O evento será organizado pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e com apoio de agências de financiamento científico. O evento será gratuito, aberto ao público e serão fornecidos certificados de presença para quem comparecer ao menos a três sessões. A apresentação de cada expositor terá duração de 40 minutos e será seguida por um debate de 20 minutos.

Estão previstas duas apresentações na parte da manhã – eventualmente três no segundo dia – e duas à tarde, totalizando oito ou nove palestrantes, a serem confirmados.

Programação

Dia 9/09

9h30 | Recepção

10h às 12h | Contexto, idéias e recepção nacional e internacional
Coordenador: André Campos (Departamento de História da UERJ)

Tania Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira (UERJ- CEO-Pronex – CNPq)
A imprensa e o contexto da Revolta da Chibata: história e historiografia.

Joseph Love (Universidade de Illinois)
Revolta da Chibata: dimensões internacionais, aspectos ideológicos e perspectivas novas da segunda rebelião.

14h às 16h | Memória e Marinha
Coordenador: Marco Morel (UERJ)

José Miguel Arias Neto (UEL)
A revolução dos marinheiros de 1910 – Memória e Historiografia

Hélio Leôncio Martins (Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro)
A criação de um mito

Dia 10/09

9h30 | Recepção

10h às 12h | Identidades, trajetórias e circulações
Coordenadora: Tania Maria Tavares Bessone da Cruz Ferreira (UERJ- CEO-Pronex – CNPq)

Zachary Ross Morgan (Boston College)
Radicalismo transatlântico e as raízes britânicas da Revolta da Chibata

Sílvia Capanema Pereira de Almeida (Universidade de Paris 13)
Vidas de marinheiro no Brasil republicano: identidades e lideranças da revolta de 1910

14h às 16h | Historiografia, sentidos e novas aberturas
Coordenadora: Sílvia Capanema Pereira de Almeida (Universidade de Paris 13)

Mário Maestri (UPF)
A Revolta dos Marinheiros Negros de 1910: o nacional, o internacional, o passado e o presente

Álvaro Pereira do Nascimento (UFRRJ – CEO-Pronex – PROCAD)
Revolta da Chibata: história e historiografia

18h | Exibição do documentário “João Cândido e a luta pelos Direitos Humanos”
Direção de Tania Quaresma e produzido pela Fundação Banco do Brasil.
Debate com Adalberto Cândido (filho do marinheiro João Cândido) e com os organizadores do evento.





História, memória e lagartixas

4 04 2010

Para quem tem medo de aranhas, diz-se que tem aracnofobia. E para quem tem medo de lagartixas?! Nunca ouvi falar! O medo é tão grande que nunca tive vontade de procurar… Até este momento. Apesar de um parco esfoço, não achei o que desejava saber. Apenas encontrei algumas informações, que constam no final deste texto – para quem se interessar e/ou for corajoso.

Tenho trauma de lagartixas, desde a infância, quando uma resolveu passear sobre mim. Memórias e lagartixas são coisas que só combinam no livro “O Vendedor de Passados”, de Jose Eduardo Agualusa. Confesso que é uma mistura inusitada, mas para quem tem a imaginação aberta às novas experiências literárias consegue ser bem surpreendido pelo autor angolano.

Passado o desconforto de ter que ver uma osga (lagartixa) retratada na capa do livro, consegui passar à leitura da narrativa que trata da história de um sujeito – Félix Pacheco – que vende passados falsos a importantes elementos da sociedade angolana. Colecionador de livros, jornais, revistas, vídeos e tudo o mais que o possa ajudar na composição de genealogias ilustres para seus clientes, Félix vive em um casarão e tem como melhor amigo uma osga, a narradora da trama!

Algumas considerações:

1- Através deste livro, o autor aborda um assunto que muito me interessa: a construção da memória. Acho fascinante a maneira como elaboramos as nossa memórias, que nunca é uma tarefa individual. A memória é construída socialmente. Baseamo-nos nas nossas lembranças, mas também naquelas dos que nos rodeiam. Com a junção de experiências distintas, compomos o cenário de um acontecimento. Escolhemos o que é relevante lembrar e, principalmente, o que devemos ou queremos esquecer. E este é um fenômeno que não ocorre apenas no âmbito individual, é também uma prática coletiva.
A partir da seleção, o historiador se lança às pesquisas e, então, pode compor suas versões históricas. Através do estudo aprofundado sobre a relação entre história e memória, compreendemos como se constroem e se consolidam os mitos de origem, os heróis nacionais, as justificativas para determinadas ações políticas. Sobre este tema, vale a pena ler Michel Pollack, Jacques Le Goff, Maurice Halbwachs, Pierre Nora.

2-Há algumas formas de uso no que tange à memória. Em busca de um consenso nacional, o poder político investe nas lembranças das grandes datas, de maneira a encontrar no passado uma legitimidade histórica que permita consolidar a memória coletiva. Firmar a identidade nacional ou, no caso dos clientes de Félix Pacheco, reelaborar uma identidade pessoal. São prósperos empresários, políticos e generais da emergente burguesia angolana que têm futuro assegurado, mas falta-lhes um bom passado. Um passado que os tornem respeitáveis e que legitime o lugar social que ocupam. Mas não é sobre isso que gostaria de escrever. O que importa, neste caso, é quem se torna o editor deste passado. A profissão de genealogista, como o próprio Félix se intitula, tem muito a ver com a do Historiador e com a do Arquivista. Sim! O arquivista é dotado de conhecimento técnico-científico para elaborar genealogias, o que passa pelo domínio de heráldica, diplomática e paleografia. A este profissional cabe a responsabilidade de exercer com ética a sua atividade, ao contrário de Félix que fabrica genealogias de luxo para seus clientes.

3- Outro aspecto que cabe dar destaque refere-se à apropriação da memória! É muito interessante perceber como os personagens se apropriam das memórias que lhes são construídas, tornando-as verdades socialmente incontestáveis.

“Nada passa, nada expira / O passado é um rio que dorme / e a memória uma mentira multiforme.”

Editora: Gryphus
Autor: JOSE EDUARDO AGUALUSA
ISBN: 8575100920
Origem: Nacional
Ano: 2004
Edição: 1
Número de páginas: 199
Acabamento: Brochura
Formato: Médio

Últimas considerações:

Ainda bem qe não acredito em reencarnações. Caso contrário, teria dificuldades para espantar a próxima lagartixa que aparecesse no meu caminho. Sobre Osgas:

Nome científico: Rhacodactylus leachianus, Gekko gecko, Gekko smithi, Uroplatus fimbriatus
and Saltuarius cornutus
Classe: Reptilia
Ordem: Squamata
Família: Gekkonidae
Habitat: Áreas florestais
Hábitos: Dependendo de cada espécie, pode ser diurno ou noturno.
Nome comum: Lagartixa

Características: As lagartixas têm facilidade para subir em qualquer lugar.Isso porque elas possuem uma espécie de pequenas laminas cobertas por pêlos microscópicos em forma de ganchos e são esses pêlos permitem a esses animais escalar muros, vidros de janelas e andar pelo teto de cabeça para baixo. É comum que as lagartixas se instalem em nossas casas, mas isso é bom, pois se alimentam de insetos daninhos, como as traças e mosquitos. São animais frágeis, de coloração bege clara e olhos escuros.
A reprodução é ovípara. Geralmente, as fêmeas põe entre 1 ou 2 ovos e guardam em cascas de árvores ou fendas em pedras. Existem mais de 400 espécies de lagartixas nas regiões quentes do mundo.








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